Não é de hoje que nutro especial admiração pela nossa vizinha Argentina, notadamente Buenos Aires, cidade sulamericana com atmosfera europeia (Bariloche é interessante mas muito distante e fria e eu prefiro sempre o sol). Mas da Argentina sinto apenas uma queixa, quando o nosso futebol, um dos melhores do mundo, perde para o deles, o que às vezes acontece. Agora não me venham com essa conversa ambiciosa de que Maradona é melhor ou igual que Pelé. Ainda está para nascer esse fenômeno… E, quiça, demore longe tempo.
Mas sou sincero em reconhecer que o tango conquistou as plateias do mundo com maior facilidade que o nosso samba. Não foram poucas as capitais que visitei (e viajar é um dos meu melhores vícios, outro é ler para minha satisfação e escrever para “castigar” os leitores…). Nós tivemos no Brasil ótimos cantores, creio, entretanto, que nenhum chegou a alcançar a fama de Carlos Gardel, que, me parece, era um falso argentino, já que teria nascido na França.
Estou falando da Argentina ao tomar conhecimento nas páginas de “O Estado de S.Paulo”, sob o título “Iguais perante a lei” o seguinte: “O movimento lésbicas, gays, bissexuais e transexuais na Argentina é vasto e diversificado: são diversas correntes peronistas, socialistas, cívicos, trotskistas e comunistas e organizações sem qualquer filiação partidária. O primeiro grupo se formou em 1967 e a partir de então evoluiu até chegar a um possível clímax como até alcançar a autorização legal para o considerado casamento gay. Jornalistas que acompanharam os longos debates parlamentares que concluíram pela introdução da ainda controvertida inovação, sentiram a sensação que o matrimônio é uma instituição em fase de alterações”. E se examinarmos detidamente o passado, não será difícil constatar que se trata de uma profunda modificação nos costumes mas uma realidade que se vai firmando no mundo moderno. Agora começa-se com a apresentação, o conhecimento, a simpatia, o namoro, noivado e, logo, um encontro para “ficar”, vocábulo que no grosso Aurelião tem o significado arcaico, já que a linguagem moderna quer dizer um encontro para satisfazer o instinto sexual, desejo natural impelido pelo coração e o amor, peças indispensáveis no ser humano. A querida Argentina, conseguintemente, está apenas se adequando aos tempos modernos.
Reconheço, por ser evidente, que o fato não é recebido por unanimidade, nem estou de acordo com aqueles que já afirmaram que “toda unanimidade é burra”, contrariamente unanimidade é o resultado de pensamentos inteligentes sobre determinado assunto, o que, nem sempre ocorre.
Na Argentina, a presidente Cristina Fernandez Kirchner declarou ao tomar conhecimento da decisão: “Após a sanção da lei levantei-me e senti que tinha os mesmos direitos e outras milhares de pessoas devem ter vivido idêntica emoção”. Trata-se, conseguintemente, de uma igualdade jurídica e, acima disso, a essência de uma regra antidiscriminatória, a exemplo do Código Civil argentino que já assegurava igualdade para todos. Sim, genericamente. Agora, foi reconhecido o até então estranho casamento gay. Voltamos ao Senado romano: Oh tempora, oh mores.
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