Em meu mais recente livro, certamente o último, pois estou superando os 80 anos e estou convicto de que não fui escolhido por Deus para ficar para semente, até porque eu sou ateu. Minha querida e amada Rose Marie que vem suportando viver a meu lado por mais de meio século costuma brincar declarando que eu “sou ateu graças a Deus”. Ocorre que ao contrário de muitos, quiçá da maioria eu não creio que Deus criou o mundo, contrariamente sou daqueles, ainda que seja o único, a entender que o homem criou a figura de Deus mas voltado para sua própria defesa: aconteceu por ter sido vontade de Deus, foi porque Deus quis, portanto a culpa não é minha. Desculpa fácil mas que a mim não engana.
Mas sou suficientemente inteligente para compreender e respeitar aqueles que acreditam em todos os deuses. Sim, há mais de um. Cada religião tem o seu, cada povo também. Deus, Buda, Maomé, Jeová, Jesus Cristo e sei lá mais quem, confesso que não é minha praia portanto sou incapaz de me aprofundar. Mas sei o bastante para não desconhecer a existência do catolicismo, próprio de minha família por parte de mãe de origem italiana, meu pai tinha sangue árabe, Salomão Elias Féder, até porque na minha juventude impelido por minha mãe tive aulas de catecismo e frequentei com certa assiduidade a Igreja de minha natal Campo Largo. Sei não, mas as orações dos padres costumavam entrar por um ouvido e sair pelo outro. Nunca deixei de considerar aquelas prédicas puras ladainhas. Com mil pedidos de perdão ao meu conterrâneo e querido irmão de alma D. Pedro Fedalto. Eu prefiro não agradar a alguém do que ser falso, hipócrita ou seja lá o que for. Certo que não ignoro a existência do catolicismo, judaísmo, protestantismo e outras religiões. Afinal, não é essa a alavanca do sistema democrático? E não continua sendo esse o mais conveniente sistema político. Ou alguns ainda tem em mente regimes totalitários a exemplo do comunismo. Que, triste e paradoxalmente, ainda tem lá seus admiradores. Que, no fundo, eu chamara de cúmplice.
P.S.- Dinossauro ou não, agradeço a democracia que ainda me permite escrever, reclamar e expandir minha rabugice.
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