Perdoem-me se me torno repetitivo, mas vou iniciar lembrando Marco Túlio Cícero quando bradava no Senado romano, um dos berços da democracia: “Oh tempore, oh mores!” (Oh tempos, oh costumes!), estranhando as mudanças de hábito que vinham ocorrendo na Roma, à época autêntica capital do mundo.

E realmente, como os tempos mudaram. Sei lá, seria enfadonho começar falando lá da chamada Idade da Pedra, quando o ser humano, vivendo em cavernas, quando eles poderiam imaginar com o mundo moderno, a gente se amontoando em altos edifícios. (Perdoem-me se me torno mais chato, mas lembrei da história do baiano, não sei se história ou lenda malvada, que chegando a São Paulo, na frente do prédio conhecido como Edifício Martineli, com seus vinte e tantos andares, olhou e leu: Edifício Martineli. É muito alto. Primeiro constroem depois dizem que é-difícil subir. Pecado!).

Todavia, íamos falar de casamento. Então vamos. Sim da nova modalidade de casamento, será que ainda conservando o nome de matrimônio. Sei que não foi o primeiro e nem será o último. O mais recente, pelo menos do meu conhecimento, pois sucedeu bem aqui em nossa querida e admirada Argentina. Aliás, vale recordar que a Argentina novamente sai na frente tanto que o movimento GLTB (gays, lésbicas, transexuais e bissexuais) convivem com variadas correntes, peronistas, trotskistas, comunistas, socialistas cívicos, sem nenhuma discriminação, na mais moderna democracia. O primeiro grupo foi formado em 1967 e evoluiu numa espécie de revolução sexual até chegar ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. (Será que vai acabar por aí, ou chegar sei lá onde?) Alguns já estão chamando de novo regime reformista. Mas segundo nos relata Flávio Rapisardi no O Estado de S.Paulo: “Quando assistimos ao debate que tivemos que acompanhar durante a discussão do projeto de lei pareceu claro que a figura do matrimônio começa a passar por uma nova revolução. Por que? Porque consagra a igualdade, diante das propostas de união civil, união de fato e união de solidariedade, o que representa derrubar um dos últimos obstáculos jurídicos que nos condenam ou impedem a um horizonte que teríamos de chamar de plena igualdade”. Ou não?