O cinema é inquestionavelmente a arte maior e mais popular para o nosso entretenimento. E eu não me considero um grande freqüentador, talvez mais pela falta de vontade de sair de casa e só o faço para acompanhar minha querida Rose Marie. Ainda guardo, no entanto, uma preferência: filmes musicais, lastimavelmente cada vez mais escassos. É natural a tendência daqueles que preferem filmes históricos, até mesmo os com cenas de violência, os velhos “westerns”, filmes com enredos de época e com não menos público, as histórias de suspense.
E nesse particular há que se respeitar um nome: Alfred Hitchcok, que tem uma técnica especial para fazer a gente quase pular da cadeira, o que ele consegue obter com enorme mestria (eu escrevi corretamente, quem escreve maestria é um equivocado, o vocábulo nada tem a ver com os famosos e admiráveis regentes de orquestra, profissão, aliás, que está entre aqueles que eu gostaria de ocupar não fosse a paixão pela imprensa).
Hitchcock começou sua carreira ainda jovem, lá por 1925, quando lançou seu primeiro longa metragem intitulado “The Pleasure Garden” ainda sem versão para nosso idioma. E já aí a crítica afirmava que o público começava a ganhar uma linguagem cinematográfica. E ele acreditou que havia descoberto um novo filão e, descobrir um filão desse tipo à época em que Hollywood dominava todas as telas do mundo era equivalente a achar uma mina de ouro.
Não é minha ideia porquanto julgo-me incapaz para tanto mas é a crítica internacional quem sustenta: “Hitchcock utilizava tão notavelmente as câmeras para transmitir as mensagens desejadas, que nem precisava de diálogo ou bons atores para clímaces, desculpem-me é a vez primeira que uso esta palavra para significar as cenas de suspense no cinema. Mas foi assim que ele acabou entrando para a história da chamada sétima arte como o ‘mestre do suspense’ e citem como exemplo o filme ‘Suspeita’, cena em que um copo de leite é levado pelo ator à sua esposa, com o enredo demonstrando que ele pretendia matá-la mas criando a dúvida se o leite estaria ou não envenenado. Sua ideia para despertar a atenção da platéia foi colocar luz dentro do copo atraindo os olhares para o objeto e potencializando o suspense”. Em “O homem que sabia demais” o público acompanha tenso a execução de um concerto sabendo que ao soar de um determinado instrumento ocorrerá um assassinato. Logicamente com uma música adequada para elevar a emoção. Ideia de gênio. Gênio que fez a platéia mundial sofrer com um filme denominado “Psicose” com a atriz Janet Leigh numa atuação que lhe valeu um Oscar. O filme é de 1960 mas continua assustando nos dias presentes. O filme começa com Janet aparecendo apenas de sutiã, mas a cena marcante é o seu assassinato num banheiro, uma cena e 45 segundos que levou sete dias para ser aprovada. Uma curiosidade: Hitchcock preferiu fazer o filme em preto e branco, afirmando que desejava diminuir o forte impacto sobre o público. Quantos cineastas têm esse cuidado? Se eventualmente “Psicose” voltar a cartaz, não perca a oportunidade de viver essa emoção.
P.S.- Alguns analistas classificam “Psicose” como uma aula de cinema.
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