Ao tempo em que me dediquei a imprensa (e também ao rádio) me foi possível liberar algumas das minhas ideias e transformá-las em eventos para a sociedade. Halawsala, não sei se a grafia está correta, até creio que não, a intenção foi agradecer a Deus em árabe, pois meu sangue paterno remonta aos beduínos dos desertos, já o materno está ligado a alegre e sempre festiva Itália. Ah, Itália. Não Roma, sem demérito, mas notada Nápoles, Sorrento, Capri, mamma mia!, e a comida italiana, posso enganar-me mas a tenho entre as melhores do mundo, as massas são incomparáveis. Na realidade ali com a comida árabe. Esse tal de quibe é uma tentação. Quando recordo dos preparados pela minha tia Badia Fadel a boca enche de água. Era diferente. Não sou do ramo mas acredito que sim. Ela tinha, bem lembro, a paciência de amaciar a carne com a mão – alguém no presente ainda procede assim? Aceito que a tecnologia veio para nos ajudar e reconheço que tem facilitado nosso dia a dia. Mas a comida artesanal de ontem, estou convicto de que era melhor. Caso contrário dela eu não estaria sentindo saudade e com água na boca.
A intenção inicial era falar do ambicioso “Oscar paranaense”.

Que história é essa? Antiga. Tão antiga que já dormia numa das gavetas da minha memória. Dei-lhe o nome de Tribunascope e hoje ainda acho que acertei, pois era eu diretor da Tribuna do Paraná, jornal que teve semente, floresceu e conquistou o público, depois de ter sido criado por mim, a mais de meio século, opa, estou ficando velho, idoso, antigo, deteriorado pelo uso, claro que não eu mas meus objetos, gasto, estragado; falando do ser humano afirma-se que a velhice começa aos 60 anos. Será? E aos 70? E aos meus 80?Será que já passei da conta, como se desejo chegar pelo menos aos 90. Humilde não quero me tornar centenário. Não se trata de humildade, sou bastante inteligente para saber que chegar os 100 anos deve ser um privilégio, mas com saúde e sem aquela doença que apelidaram de caduquice parece-me um pouco difícil.

A vida tem-me sido boa e me premiado com alegrias, vitórias, conquistas e algumas glórias inesperadas e claro imerecidas. Ainda sobre nosso modesto Oscar. Lembro satisfeito e feliz aquelas horas de convivência com pessoas que para mim só existiam em sonho e nas telas da chamada Sétima Arte. Que pessoas: Karl Malden, Tony Curtis, Janet Leight e outros a quem minha memória se desculpa. Foi evento que parou Curitiba. Hospedados no Hotel Iguaçu, hoje Bourbon, o trânsito daquela rua e de uma transversal foi fechado e o povo, curioso, se aglutinava nas escadarias da Biblioteca Pública, ali em frente. Eles se acomodaram na cobertura do hotel e, notando aquela multidão aflita, fui até eles e pedi que aparecessem nas janelas. Foi um delírio e vivi instante de felicidade pessoal por haver proporcionado suspiros de alegria a gente da minha terra. Claro, é provável que os mais jovens estranhem, mas estou me referindo a uma época em que o cinema era a melhor diversão e seus intérpretes eram ídolos. Hoje, ainda alguns ainda são, mas nem saberia citá-los, porquanto, inobstante a insistência de minha paciente e querida Rose Marie, tenho frequentado pouco as salas cinematográficas. Aliás, da última vez até fiquei impressionado com um detalhe: os cinemas de hoje diminuíram de tamanho enquanto aumentaram o tamanho das telas. Talvez apenas os decanos, como eu, tenham observado esse aspecto.

P.S.- Fui levado a este assunto porque estou escrevendo no meu “moderníssimo computador”, uma pequena e sem-vergonha maquininha vermelha de escrever Hermes Baby, quando escrevo Hermes recordo da firma Hermes Macedo que por décadas dominou os “mercadoramas” que nos abastecem nos dias presentes. E ao lado do saudoso troféu Tribunascope que reencontrei e agora vai fazer companhia à minha inseparável maquininha de escrever e a minha esculhambada mesa de trabalho. Trabalho? Para mim trabalho é sinônimo de satisfação, alegria, talvez massagear o ego, enfim, uma atividade fantástica e, por menos que se queira, exigentemente cultural. Vivendo e aprendendo. Até quando? Não sei responder e, confesso nem gostaria de saber? Por que? Porque seria entristecedor e para que jogar lágrimas sobre uma vida sem queixas. Eu não me queixo!…