Por mais de vinte anos costumava passar duas temporadas ao ano na Cidade Maravilhosa. Quando ali cheguei pela primeira vez, logo do avião, encantei-me com a paisagem deslumbrada e ao melhor conhece-lo melhorou minha impressão. Sou incompetente para descrever o lindo desenho esculpido pela natureza mas seria chover no molhado porquanto o Rio já foi demasiadamente cantado em prosa e verso.

O encanto, porém, subiu à cabeça e ocorreu-me a ideia de comprar apartamento por ali. Contrariando, pois, familiares e amigos que procurava geralmente as praias catarinenses (a geografia castigou o Paraná com modesto litoral) eu ousei preferir o Rio. Busca e olha acabei comprando: Rua Barão da Torre, 47, 4° andar, Ipanema – nada mau!

E ali minhas férias. Uma delas ocorria no Carnaval. Primeiro enfrentei a “aventura” que é ver o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, espetáculo incomparável, que brasileiros aplaudimos e que turistas ficam estupefatos. Com efeito, quando as baterias passam a nossa frente a emoção é indescritível. Num dos desfiles grupo japonês ao nosso lado, que inclusive levou lanche, comia rindo e gesticulando de felicidade com a vibração da Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija Flor, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rios e outras que não sabia se comiam, gritavam ou fazer o que contaminados de entusiasmo.

Mas não viram o Sovaco do Cristo. O Sovaco desfilava no sábado anterior e domingo de Carnaval em Ipanema, concentração na Praça General Osório, a uma quadra do “meu” prédio. E por que esse nome? Lógico, apropriado e justo. O bloco era composto somente de foliões que moravam sob o braço direito do Cristo Redentor no Corcovado. Havia ainda outro bloco, esse mais completo e maior e com o inteligente nome de Simpatia é quase Amor. Já um bloco de classe com bateria empolgante, grande número de participantes e tudo mais.

No entanto, minha preferência era pelo Sovaco. E só não saí sambando ao seu lado, porque a “algema” de minha Rose Marie me impediu: “Que é isso? Está ficando louco?”. Creio que estava…