Peço licença para voltar a falar de música. Não é a primeira vez que estou convicto de que não será a última. Pelo menos guardo esperança de prolongar lucidamente meus oitenta anos para alcançar esse objetivo. Não posso entender por que, mas deve ter sido a influência da época em que, cusando a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, eu tinha tempo para trabalhar na saudosa Rádio Guairacá, “A voz nativa da terra dos pinheirais”. Devo ter sido primeiro disck-jockey do nosso rádio, mas ao tempo me chamavam de discotecário. E fazia o que? Comprava os discos, catalogava e os programava para a maior parte da programação da rádio, intercalada por uma ou outra novela e programas ao vivo para o público. Lembro que quando em voltava à rádio depois de transmitir uma partida de futebol, encontrava filas que iniciavam na Barão do Rio Branco, dobravam na José Loureiro e se perdiam de vista. Era gente que pagava para aplaudir Humberto Lavale, Léo Vaz, Itané Carneiro Leão, Rosi de Sá Cardoso e outros mais, principalmente Belarmino e Gabriela. Gosto do povo que os preferia a orquestra de concertos e a de tango, sim rádio ao meu tempo não era apenas tocar discos, atendendo pedidos pelo telefone (nada contra) mas era rádio mais trabalhado e certamente mais caro, havia pianista, violinista e acordeonista para acompanhar cantores locais e contratados do Rio e São Paulo. Pessoalmente fui incumbido de contratar artistas como Emilinha Borba, Carmélia Alves, Jorge Goulart e Nora Ney,o casal não se separava, Araci de Almeida, Linda e Dircinha Batista, Gilberto Alves, Alvarenga e Ranchinho, José de Vasconcelos – o maior cômico da nossa história que tinha a virtude de fazer rir sem pronunciar um palavrão, modernamente tão vulgar e até em moda. Mais uma vez nada contra, estou longe de ser puritano.
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