Ao deixar o governo Fidel Castro demonstrou ter aprendido a lição. Lastimavelmente por demais tarde e depois de aplicar anos de vida difícil e obscura para aquela gente bonita e sensível de Cuba. Num de seus últimos contato com a imprensa Fidel, triste e desconsolado afirmou: “O regime cubano não pode mais ser exportado e agora não serve nem mais para nós”.

Acompanhei a carreira de Fidel desde o princípio. Mais que isso. Fui enganado por ele. Quando do início da revolução era eu diretor do jornal O Estado do Paraná e entusiasmado escrevi “Todos a Sierra Maestra”. Sim, estava com ele por querer derrubar um ditador, Fulgêncio Batista. E o aplaudi até ele chegar festivamente ao poder e até o momento em que ele surpreendeu a mim e ao mundo declarando: “Cuba não precisa mais de eleição”. E, paradoxalmente, tornou-se tirano malvado, sacrificando liberdades e pessoas, transformando seu belo país num cárcere impenetrável e fazendo seu povo ouvir discursos quilométricos contra os Estados Unidos, exatamente para onde seus compatriotas arriscavam a vida fugindo da sua polícia nazista e dos tiros que os perseguiam para ganhar a liberdade em Miami. Houve um momento em que haviam quase tantos cubanos na Flórida quanto próximos de Fidel.

É importante não esquecer que muitos brasileiros visitaram Cuba naquele período. Jornalistas convidados especiais, naturalmente com tudo dirigido, e turistas, como meu irmão Elias, que também lá esteve… e gostou. Para o turismo todo governo ditatorial oferece o que há de melhor. É a chance de ter sua publicidade. Só agora ele faz sua mea culpa, arrependido de ter perseguido brutalmente os homossexuais e fechado todos os demais partidos. A crítica internacional que acompanha atenta a reviravolta sustenta que a verdadeira democracia levará ainda dez anos para criar raízes cubanas. Com efeito, não se muda um regime mão-de-ferro para outro livre como se vira a página de um livro ou como se passa de um livro a outro. É uma metamorfose lentíssima, até porque não eram poucos os que se beneficiam do comunismo. Os apaniguados de governos absolutos vivem muito bem obrigado e voltar à realidade é complicado. Os acólitos de Hitler, Stalin et caterva sofreram quando ouviram o grito de liberdade abre as asas sobre nós.

P.S.- Vamos todos torcer para que nenhum incidente interrompa esta nova caminhado de Cuba em direção ao ar livre.