Futebol, como se sabe, tem altos e baixos. O Liverpool, tradicional participante do mais importante campeonato (afinal o futebol nasceu na Inglaterra), foi colocado à venda. É os ingleses vendem tudo (menos a mãe) e em crise o Liverpool foi posto à venda. Preço? R$ 1,6 bi. O clube está à beira da falência, apesar de sua tradição e ainda obter muitas vitórias. Mas quando o dinheiro fica difícil não há presidente nem torcida que resista.

Aliás, a crise atingiu todo o futebol europeu que se acostumou a contratar ídolos sem se preocupar com o preço, inclusive craques brasileiros. Alguns clubes chegaram a vender estádios, outros pediram concordata e alguns trocaram de nome. A UEFA fez um levantamento e constatou que em 2009 50% dos clubes da Europa estavam com dívidas colossais e vários sem solução. Entre eles o Liverpool. Seus donos, Tom Hicks e George Gilett não encontraram outra saída: quem dá mais? Acreditaram fazer bom negócio, mas as propostas recebidas foram desanimadoras. A New England Sports Ventures que é dona do Boston Rede Sox, não chegou aos US$ 95 milhões. Um grupo americano ofertou metade se comprometendo a pagar as dívidas de 285 milhões de libras esterlionas do clube. O governo da China também fez proposta que não agradou e a venda ficou complicada. Será que copiamos essa fórmula deles? Tom Hickes havia sido dono do Texas Rangers, clube que faliu em maio passado, hoje ele é dono de time de hoquei no gelo, o Texas Star.

Houve um tempo que se cogitou no Brasil de adotar o sistema britânico na esperança de que milionários assumissem clubes para salvar o futebol de uma fase turbulenta.

Eu fui militante da área, locutor esportivo por muitos anos na saudosa Rádio Guairacá, e aprendi como é difícil administrar esse esporte que transforma seres humanos em ídolos e muitos não estão preparados para a vida com dinheiro sobrando. É ser rico não é tão fácil como imaginamos.

Vou lembrar um curioso episódio que testemunhei. O Clube Atlético Ferroviário, Colorado e hoje Paraná, ia jogar em Londrina. No dia de viajar para a partida reunião na Vila Capanema, faltava um jogador. Minha memória lembra de Sarará. E diretor do clube, creio que Hipólito Arzua, foi à sua residência. Encontrou almoçando: feijão e farinha. Apanhou-o, viajaram, chegaram a Londrina hospedando-se no melhor hotel e ao jantar o mesmo Arzua observando a comida e seus jogadores chegou próximo ao Sarará que mandava o prato de volta dizendo que o filé mignon estava mal passado. O garçom levou-o e troxe de volta. Sarará olhou, fez cara feia e voltou a chamar o garçom. Agora está queimado. Hipólito não se conteve. “Come aí seu malandro ou vai me dizer que em sua casa o filé é melhor?”.

Foi um episódio que, estou certo, revela o que acontece, logicamente não com todos, mas com alguns jogadores que de repente se empolgam ao ouvir um estádio gritando o seu nome. Convenhamos, se trata de uma mudança que faz sacudir os miolos. E de qualquer ser humano, vista ele o uniforme do Liverpool ou de um time brasileiro.

Humildade, modéstia, submissão e congêneres nos acompanham firmemente na juventude quando aspiramos vencer na vida, na difícil batalha dos menos afortunados, mas são consumidas com o crescer, subir na vida, alcançar triunfos, altas posições e assumir o poder. Quando a faixa cruza o corpo ou uma coroa lhe cobre a cabeça não é fácil continuar sendo a mesma pessoa. Só os grandes o conseguem e, por isso, são dignos de nossa admiração. Muitos, poucos? Pense um pouco e conte os seus…

P.S.- Pedante é aquele homem de educação superior às possibilidades de sua própria inteligência. J. Brander Matthews, in “Epigrams”.