Não sei explicar o que se passa comigo. Às vezes penso que sou diferente, jamais melhor do que alguém e também não afeminada, mas sou frequentador assíduo do Centro Paranaense Feminino de Cultura, geralmente bendito fruto, único homem entre quarenta ou mais mulheres. Mas algemado por minha amada e inseparável Rose Marie, que me suporta há mais de meio século e me contemplou com três belos filhos, Jean Luiz, Jeanne Marie (Paraná pelo matrimônio com Namur Prince Paraná, excelente genro) e Luiz Henrique. O primeiro advogado e jornalista como o pai. Esqueci de lhe dar o conselho que ouvi de João Lunardelli, quando passava belas férias em Porecatu, Norte do Paraná, onde comia um filé mignon que lembro com água na boca. E recordo de cena estranha: o pai de João Lunardelli, se não me engano Geremias, costumava, em sua fazenda em Porecatu, Norte do Paraná, onde nossa família de quando em vez passava férias, antes de beber água ir à janela e passar um copo para outro para que o ar puro daquela linda fazenda a água ganhasse mais oxigênio. Meu filho mais novo, então muito novo, perguntou-lhe o que fazia e veio nos contar: “Pai o vô está oxigenando a água”. Minha memória que não é das melhores felizmente guardou essa.
Dizia que frequento o Centro de Cultura, onde tenho tido esclarecedoras lições de música das professoras Clarice Miranda e Liana Justus. O que elas conhecem de música me causa inveja. E toda vez que citam Tchaikowski que sabem ser meu compositor preferido, apontam para mim sorrindo e me deixando feliz.
Também sou leitor de revistas femininas, a exemplo de Marie Claire. Estou, na verdade, com uma sobre minha mesa de trabalho onde meu computador de última geração, uma máquina de escrever Hermes Baby simples e portátil mas que não depende de eletricidade, não derruba o programa e atende minhas necessidades. Não vendo, não troco, não dou. Parece mesmo que tenho algo de diferente. Já fui chamado de jurássico, nem sei se foi elogio ou ofensa, mas recebi cordialmente. Pois sou daqueles que, embora achando difícil, tem se esforçado para ser um gentleman. Tanto que vinha beijando toda mulher que me era apresentada. Até que minha Rose Marie me advertiu, não sei se por ciúme ou para melhorar minha conduta social, que não fizesse mais. E como entre nós minha palavra é sempre a final eu respondi: “Tudo bem minha paixão. Mais uma vez você está com a razão…”.
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